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terça-feira, 10 de maio de 2011

" As pessoas estão se esquecendo das pessoas e delas próprias"

Essa foi uma das afirmações que ouvi na formação que participei hoje no Projeto Rede em Rede da PMSP!Forte e real...agora na administração(embora a menos de um mês), percebo o quanto é dificil manter o olhar nas pessoas quando se tem um monte de datas , relatórios , formulários a preencher!
Quando todos tem seus "urgentes" a resolver ... e você tem que selecionar o que será o seu urgente correndo o risco de não entender ou de não ser entendida...
Uma outra fala foi que nosso foco como gestores deve ser a criança ... esta protagonista e não uma reprodutora do que o adulto quer que seja , faça ou pense...vejo que o caminho é grande a seguir...um turbilhão de coisas vem a mente , possibilidades, desafios, ... vamos lá!!!!
Fiquei entusiasmada por saber que no CEI Pedro Henrique se tem um trabalho com salas oficinas , já tinha tido uma experiência na EMEI Grajaú com salas oficinas , estive na implantação e me veio a mente todos os obstáculos e vitórias conquistadas e fiquei pensando em como seria num CEI ... viajei!!!!!!!
Me veio palavras , conceitos , experiências e percebi que em alguns aspectos eu mudei , não vejo como via , não penso como pensava...e aí vem na mente a fala de uma colega que disse "se voltasse a ser criança ficaria olhando as nuvens no céu", um momento de quietude, de refletir sobre a vida , o nada e tudo!!!!!!!!!!
Saber que se você não está mais contribuindo da forma que deveria, possibilitar um novo começo, recomeçar...pensar, avaliar, auto-avaliar!

Aprender a ser / Aprender a conviver / Aprender a participar/ Aprender a habilitar o mundo
                 Auto-Ética             Alter-Ética                    Socio-Ética                Eco-Ética

(J.M.Puig)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Feliz Páscoa!!!!!!!!!!

“Pessach”… Páscoa… significa Passagem… Morte… Ressurreição!Ressurreição do sorriso... Ressurreição da alegria de viver... Ressurreição do amor... Ressurreição da amizade... Ressurreição da vontade de Ser feliz!!!Ressurreição dos sonhos, das lembranças e de uma verdade que está acima
dos ovos de chocolate , embora sejam gostosos!Cristo morreu, mas Ressuscitou e fez isso somente para nos ensinar a Ressuscitar as maiores Virtudes do íntimo de nossos corações! Desejo uma linda Páscoa e tenho a certeza de que
muitas “coisas” morrerão…
e muitas ressuscitarão…
 neste caminho que estamos traçando!
Conto com VOCÊ…longe ou perto ...

 para que cada dia que vier seja melhor do que o anterior!!!

Feliz Páscoa!


Aos meus colegas e amigos da minha querida EMEI Odiléa Botta de Mattos!!!!!!!

Abraços rosas!!!!!!!!


Eu sou branco. Você é vermelho.
Quando estamos juntos somos rosa.
Antes de eu conhecer você, eu não sabia o que era rosa.
Até que eu vivia bem sozinho: comia o que e na hora que eu queria; saía na hora quando bem entendia para ir ao lugar que tinha vontade de ir,numa liberdade, independência e auto-suficiência.
Quando eu vi você, fiquei vermelho de paixão e nem me incomodei com os meus brancos.
Até perceber-me que eu já não era mais o branco.
Foi quando o vermelho começou a me sufocar e então, brancamente, me protegi.
Mas às vezes eu me irritava e brigava com você.
No fundo, era porque você era vermelha e não branca igualzinho a mim.
Percebi-me em alguns variados momentos querendo mudar a sua cor. Ainda bem que você soube permanecer-se vermelha,
ter suas próprias emoções, sentimentos, comportamentos e pontos de vista.
Caso contrário, você seria também branca.
Mas tive minhas reticências, pois estava acostumado ao meu ritmo e modo de vida branco.
Temi perder minha individualidade.
Mas aos poucos fui descobrindo que o branco para se transformar em rosa
não é perder, desestruturar-se e desaparecer, mas é completar-se com o vermelho.
O rosa me atemorizou, mas hoje vejo quanto é gostoso conviver, relacionar-me, amar e ser amada.
Dá mais trabalho porque nem tudo pode e deve ser feito brancamente, mas sem dúvida tudo pode ser mais gostoso e rico com o vermelho.
Freqüentemente, um bom lanche branco não é tão agradável quanto um singelo jantar rosa.
Um mundo muito Cor de Rosa a todos....
Içami Tiba
Tem um trecho de um livro do Içami Tiba que eu gosto muito e que diz muito do que estou vivendo neste momento...mudanças, obstáculos, oportunidades...para os mais próximos e os mais distantes quero dizer que vou logo, logo mudar de casa, agora para o meu cantinho , meu "ap" !!!!!!!!!! Uma grande conquista!!!!!!!!!!!Louvo a Deus pela forma maravilhosa em que tudo tem ocorrido!!!!!!!!!!!!
Mas não pára aí...desde sexta estou Diretora de uma Escola !!!!!E tudo foi de uma forma que só pela orientação, graça e poder D'Ele, meu Deus e Senhor!!!!!!!!!!!!!
Claro que nem tudo são flores , mas não temos vitórias sem lutas!!!!!!!!
Por isso ... Lutar sempre ... Vencer ... às vezes ... Desistir jamais!!!!

Portas...

Se você abre uma porta, você pode ou não entrar
em uma nova sala.
Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra,
dá um grande passo: nesta sala vive-se!
Mas, também, tem um preço...

São inúmeras outras portas que você descobre.
Às vezes curte-se mil e uma.
O grande segredo é saber quando e qual porta
deve ser aberta.
A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados em acertos
quando com eles se aprende.

Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive,
descobre-se tantas outras portas.
E a vida enriquece quem se arrisca
a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos
e generosamente oferece afortunadas portas.

Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta,
terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação, é a monotonia
monocromática perante a multiplicidade das cores,
é a estagnação da vida...

Para a vida, as portas não são obstáculos
mas diferentes passagens!"

(Içami Tiba)

Do Livro: Amor, Felicidade & Cia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

É um material não tão novo , mas que é muito bom!!!!Eu tenho muita dificuldade com a questão de violência na sala de aula, crianças que só sabem brincar de bater , matar, ... sei que o brincar é um aprendizado social , mas precisamos abrir os olhos para essa questão, pois os casos de assassinatos entre colegas , parentes, ... estão crescendo muito, os seres humanos estão perdendo a noção da valorização do ser humano com suas limitações e qualidades , se resolve conflitos na bala...e isso é muito triste!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Alerta aos videogames e filmes violentos
Muitas pessoas gozam em matar na realidade virtual ou vibram em ver cenas que banalizam a vida, como no filme "Cidade de Deus"...


 Por RAYMUNDO DE LIMA
Psicanalista, Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (UEM) e doutorando na Faculdade de Educação (USP).


Os videogames, fliperamas e filmes violentos podem estar formando uma geração de pessoas insensíveis ao sofrimento de humano e de animais em geral. Pior, esses objetos ao serem consumidos compulsivamente podem estar produzindo assassinos inconscientes.
O argumento é do tenente-coronel David Grossman, ex-professor de psicologia, dos EUA, que atualmente ministra curso de psicologia do homicídio para militares e agentes do governo norte-americano. Grossman, também é perito judicial junto aos pais de adolescentes vítimas dos assassinatos múltiplos numa escola, ora processando 18 produtores de filmes, videogames e fliperamas violentos.
Em entrevista ao programa da TV americana "60 minutos", em 2001, Grossman, argumentou:
" – muitos jovens passam horas intermináveis treinando em simuladores de homicídios (videogames), os mesmos simuladores que os soldados do exército treinam para matar. São máquinas que simulam como matar sem medir conseqüências. O treino consiste em: primeiro, ensinar o jovem a associar prazer com morte e sofrimento de uma vítima. Segundo, treinam a habilidade motora que o deixarão com uma pontaria muito acurada. Terceiro, esses jogos, simuladores da morte, ajudam o treinado superar a aversão em matar pessoas. Os jovens que praticam jogos violentos durante muitas horas seguidas, superam essa aversão, se tornam insensíveis e automáticos nas miras fatais. O objetivo do jogo é sempre matar, não importa se pelas costas, ou pessoas inocentes. Neles não existe ética. Marca mais pontos quem mais mata. O videogame dá bônus para quem acertar tiros nas cabeças".
Contra o argumento pseudo-psicológico de que "são apenas jogos", ou "que não existe vinculação comprovada entre jogo e a realidade", Grossman responde com dados:
" – São mais que jogos; são mecanismos que preparam as crianças para tornar realidade suas fantasias de morte. Como aconteceu com Michel Carneal, de 14 anos que atirou em 35 estudantes dispersos, resultando na morte de três adolescentes. Michel nunca havia atirado com uma pistola na vida. Sua experiência veio de milhares de horas jogando videogames. Quando Michel abriu fogo, ele disparou 8 tiros, 8 jovens foram atingidos, sendo que 5 na cabeça. Os outros foram atingidos na parte superior do tronco. O FBI considera que, durante uma missão, um agente acerta menos de um em cada 5 tiros. No caso de Amadou Diallo (o imigrante africano morto por policiais em Nova York, recentemente), quatro policiais, atiradores de elite deram 41 tiros e acertaram 19. Ou seja, os policiais acertaram menos de 50% dos tiros".
Dedução óbvia: o treinamento em videogames domésticos pode ser mais eficiente que os dos militares. Michel nada tinha de assassino nato. Os problemas afetivos e de família, bem como as contradições sócio-culturais, devem ser levados em conta na formação da personalidade, mas não se pode negar que Michel como todos os outros jovens que se tornaram assassinos nos EUA e no Brasil (caso do estudante de medicina, Mateus, que num cinema em São Paulo, abriu fogo contra a platéia), todos, tinham um ponto em comum: eram viciados em videogames e filmes violentos. O fato foi que, "Michel atirou no alvo; ele colocou uma bala em cada coisa que apareceu na sua tela imaginária. Na tela, o sangue não tem cheiro, não podemos tocá-lo ou sentir o sofrimento alheio", conclui Grossman.
Ficou comprovado que muitos crimes foram cometidos após terem assistidos filmes violentos, como "Brinquedo assassino" (caso já acontecido no Brasil em decorrência deste filme), "Diário de um adolescente", "Assassinos por natureza", etc. Pesa na determinação de certos atos criminosos ter antes se inspirado na cena violenta, banal, sedutora, por vezes identificada a um ídolo do momento, como é o caso do "Diário de um adolescente" em que Leonardo de Cáprio entra numa sala de aula com um fuzil atirando em jovens  sentados em carteiras de estudo.
Filmes brasileiros da nova geração de cineastas, como "Cidade de Deus", apesar de demonstrar algum cuidado em não fazer violência explícita, deixa passar cenas que terminam induzindo a platéia a torcer ou até mesmo "vibrar" com o poder do narcotráfico. A banalização do crime, o descaso quanto a vida, o desprezo aos valores como solidariedade, respeito ao próximo, enredo em que falta de lei - a "desobediência é a lei", "tudo vale", "tudo pode", todos esses elementos quando estetizados na tela, em vez de causar reflexão e reorganização moral nos telespectadores poderiam causar reações de gozo sádico ou a sensação total de impotência e alternativa existencial e social. 
Os capitalistas da indústria do lazer, cuja moral é o lucro e a razão instrumental é cínica, sabem que cenas gratuitamente violentas nas telas mágicas, podem causar danos à sociedade. Eles sabem que violência e sexo dão dinheiro, mas não querem saber que ambos causam efeitos imprevisíveis. Algumas pessoas não distinguem o tênue limite entre a realidade virtual violenta do videogame, do flipper ou do cinema, com a realidade objetiva, da realidade; a sedução de imagens, personagens, movimentos e sons que acontecem na realidade virtual, causam profunda identificação em alguns tipos de personalidades que poderiam atuar na realidade com o personagem incorporado, daí ser um caminho "autorizado" a cometer atos trágicos e insanos.
Muitos advogam a tese de que os ataques de 11 de setembro de 2001, foram inspirados em filmes norte-americanos. Não é sem motivo que agora suspenderam o lançamento de um filme que traz um franco atirador alvejando pessoas. O franco atirador anônimo que vinha causando pânico, nos EUA, nas imediações de Washington, certamente tinha sido bem treinado em atirar em alvos, pois de 13 pessoas, matou 10 e feriu gravemente as 3 restantes. Presos dois, um de 41 anos e outro de 17, o mais velho era veterano da guerra do Golfo de 1991. ( Há indícios de que o adolescente acusado, praticou pelo menos um dos assassinatos). Sabe-se que apesar de não ter atuado diretamente com armas, era um exímio atirador em alvos programados. Após os assassinatos múltiplos, ficou provado que o seu impulso mórbido não mais se satisfazia em atirar em alvos inanimados; sua pulsão violenta teria se redirecionado para alvos humanos vivos, donde extraia algum gozo no ato de atirar. As vítimas eram escolhidas e esmo e foram atingidas por um único tiro.
Hipóteses tentas explicar como funciona a mente desses criminosos. Uma destas, primeiro, reconhece existir estruturas psíquicas defeituosas; segundo, uma estrutura assim não se satisfaria em matar pessoas, mas apenas em obter um gozo de atirar em alvos "vivos". Dito de outro modo, já que ele se imagina inserido na realidade virtual, não há reconhecimento de estar matando de verdade, mas imagina estar matando "de mentirinha". Como sua personalidade foi construída num mundo de realidade virtual - a "sociedade do espetáculo", conceituado por Guy Debord - , o sujeito "patológico" atira como se estivesse num jogo de videogame ou como se fosse um ator de um filme. Os mecanismos psíquicos de "retorno do recalcado", "identidade-identificação" e projeção são determinantes nesse tipo de atuação.
Na linha de análise sócio-psicológica, já se fala em epidemia de franco atiradores, aparecendo principalmente em países de primeiro mundo com cultura anglo-saxônica. Robet Kurz, sociólogo alemão, analisa os chamados atos "amoucos" como "pulsão de morte da subjetividade capitalista que vem a luz como consequência(...) a indiferença para com os outros se reverte na indiferença ao próprio eu".
Mas, será que as teorias iluministas que associam criminalidade as precárias condições sociais, estariam no caminho certo de explicar as causas das novas formas de violência? Por quê os serial killers, os atos "amoucos", são mais frequentes em nossa época? Será que esses novos tipos de crimes, aparentemente sem motivo e sem sentido, estariam associados a globalização econômica, a mídia que promove e estetiza a violência, a "cultura do espetáculo", aos fanatismos? Não seria muito coincidência a "era da informação" estar virando a era da violência pulverizada na sociedade? No âmbito 'psi", como explicar que algumas pessoas "escolhem" esse caminho e outras, não? Será que a humanidade está perdendo aquilo que A. Schopenhauer chamou de "querer-viver" e Freud de "instinto de auto-conservação"; se entregando à pulsão de morte da subjetividade capitalista? H. Arendt, na sua época, já alertava para uma possível debilitação do instinto de "auto-conservação" (homicida e suicida), quando somos pressionados por um sistema que facilmente descarta um indivíduo por outro, não só nos postos de trabalho, mas em todas as relações humanas. Hoje como nunca somos facilmente trocados por outros nos projetos profissionais, nas organizações, nas amizades, etc. Parece que já não somos mais humanos, como antigamente.
Voltando aos vídeos violentos, para concluir. Assim como estão caindo no vazio as velhas teorias que teimam em explicar tudo por uma única perspectiva, também são desmascarados os argumentos que acham que os filmes e videogames violentos nada têm a ver com o aumento da violência social-urbana. Aliás, tais falsos argumentos estão levando a indústria do cigarro perder vários processos na justiça, e esperamos que o mesmo deverá acontecer com as tvs, os videogames, os filmes violentos e também a lucrativa indústria das armas. Basta a sociedade se organizar e lutar para implantar uma cultura de paz em vez de aceitar o imperativo da tradicional cultura da violência.
Apesar de que o governo brasileiro ter proibido a importação desse tipo de videogames perigosos, os estados que fazem divisa com o Paraguai devem ficar alertas quanto ao contrabando dos mesmos, e os municípios serem mais rigorosos com a fiscalização de jogos eletrônicos, nos Schoppings, e a nova onda de salas de videogames via Internet que vem atraindo muitos jovens pelas cidades. 
Não basta uma proibição governamental. Só com uma sociedade civil organizada e preparada culturalmente é que poderemos regular os interesses dos empresários inescrupulosos que alimentam o cultivo da violência, perigo potencial para todos.

RAYMUNDO DE LIMA
    

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Museu da Língua Portuguesa recebe o projeto "Lê pra Mim?"

Depois de pouco mais de um ano de sucesso no Rio de Janeiro, o projeto "Lê pra mim?" está de malas prontas para o Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz, em São Paulo. Em parceria com a Secretaria da Cultura, aos sábados e domingos de abril, as crianças terão a oportunidade de ouvir histórias infantis contadas por grandes artistas.

Abrindo o evento, no dia 2 de abril, na parte da manhã, estarão o escritor Pedro Bandeira e a atriz Etty Fraser e, na parte da tarde, a multimídia Marília Gabriela. Entre as presenças já confirmadas, estão nomes como Gabriela Duarte, Laura Cardoso, Marcos Caruso, Marisa Orth, Fafá de Belém, Odilon Wagner, Adriana Lessa, Neusa Maria Faro, Ronnie Von, Otávio Mesquita, Nany People e a primeira dama do Estado de São Paulo Lu Alckmin. Com entrada franca, os oito encontros são uma oportunidade para divertir as crianças, incentivar a leitura e oferecer aos pais conforto para conferirem as exposições e a arquitetura de um edifício histórico da maior cidade brasileira.

Inaugurado em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa já recebeu mais de 1 milhão e 600 mil pessoas, o que o consolida como um dos espaços mais visitados do Brasil e da América do Sul. Esse foi um dos motivos pelo qual o local foi escolhido para acolher o "Lê pra mim?". Além disso, a centenária arquitetura inglesa da Estação da Luz é um chamativo extra para aqueles que querem levar seus filhos para um final de semana regado a nomes consagrados da literatura infantil, como Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Ziraldo e Pedro Bandeira.

O projeto, que foi idealizado pela atriz e produtora de teatro Sônia de Paula, já passou pelo Forte de Copacabana e, em seu início, pelo Centro Cultural Correios, na capital carioca, e, ainda, por Salvador, durante a semana da criança, em outubro de 2010. Flávia Alessandra, Eduardo Moscovis, Bete Mendes, Cláudia Raia, Reynaldo Gianecchini, Alexandre Borges, Isabela Garcia, Zezé Motta, Rosamaria Murtinho, Mauro Mendonça, Daniele Suzuki, José Mayer, Maitê Proença, Margareth Menezes, Murilo Rosa, Zezé Polessa, Débora Bloch, Glória Maria, Edson Celulari e Nicette Bruno são alguns dos nomes que encabeçaram as leituras.

Segundo Sônia de Paula, o objetivo principal dos encontros é incentivar a leitura, a escrita e a comunicação entre as crianças através dos livros, e não somente pela TV ou internet. As crianças portadoras de necessidades especiais também poderão conferir as leituras, com profissionais capacitados na linguagem dos sinais (LIBRAS) e com o acesso adaptado para receber cadeirantes. Além do incentivo à leitura e da integração com crianças com necessidades especiais, em todas as apresentações é feita uma representação sobre a reciclagem do lixo. Ao final de cada leitura, as crianças saem sabendo separar o lixo em diferentes coletores e levam para casa um livro infantil, diferente daquele lido pelos artistas, multiplicando-se assim a proposta do projeto "Lê Pra Mim?".

A sala comporta 120 pessoas (60 crianças e 60 acompanhantes), acomodadas em almofadas em formato de livros e o evento é voltado para crianças com idade entre 4 e 7 anos. A cada apresentação, serão realizadas duas leituras. O "Lê pra mim?", em São Paulo, acontece entre os dias 2 e 24 de abril, sábados e domingos, às 11h e às 16h. Serão distribuídas senhas com uma hora de antecedência antes de cada apresentação para crianças e adultos.

Serviço
Lê pra Mim?
Data: 2 a 24 de abril
No dia 2, às 11h, leitura com Etty Fraser e Pedro Bandeira; às 16h com Marília Gabriela
Sábados e domingos, às 11h e às 16h - Entrada franca - senhas distribuídas com uma hora de antecedência
Tel: 0800-55-0121
Museu da Língua Portuguesa 
Estação da Luz - Praça da Luz, 1 - Luz - São Paulo

segunda-feira, 21 de março de 2011

Casa das Africas...

Lançamento da Coleção da UNESCO: "História Geral da África"



Evento em São Paulo - CEA/USP e CECAFRO/PUCSP - Local: Tuca Arena - R. Monte Alegre, 1024. Perdizes – São Paulo/SP
Data: 6 de abril

Período da manhã
9:30 horas - Lançamento da Coleção História Geral da África

Convidados oficiais
- Ministro da Educação Fernando Hadad
- Ministério da Cultura
- Representante da UNESCO no Brasil
- Ministra da SEPPIR, Luiza Barros
- Cônsul Geral da África do Sul
- Secretário de Educação do Estado de São Paulo
- Secretário de Educação do Município de São Paulo
- Reitor da Universidade Federal de São Carlos
- Reitor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Coordenação: Prof. Valter Silvério (UFSCAR)


TEMA – Coleção HGA: fonte multidisciplinar de conhecimentos sobre a África

10:30 horas - Mesa I: História, cultura e o legado civilizatório africano
- Prof. Valter Silvério (UFSCAR)
- Prof. Kabengele Munanga (CEA/USP)
- Prof. Fernando Albuquerque Mourão (USP)
- Prof. Joel Rufino dos Santos (UFRJ)

Comentários: representante da UNESCO
Coordenação: Prof. Paulino de Jesus Cardoso (UDESC e ABPN)


Período da tarde
14:00 horas - Mesa II: África e diáspora: formação de profissionais e produção de materiais pedagógicos
- Profa. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (UFCAR)
- Profa. Fulvia Rosemberg (PUC/SP)
- Profa. Maria Aparecida da Silva Bento (CEERT)
- Prof. Jean-Michel Tali – Historiador, Membro do Comitê Científico para elaboração do Material Pedagógico a partir da Coleção História Geral da África

Comentários e coordenação: Prof. Dagoberto José Fonseca (UNESP)

16:00 - Mesa III: História, historiografia e a produção de saberes na África e na diáspora
- Prof. Alberto da Costa e Silva
- Prof. Ali Moussa Iye (UNESCO)
- Prof. Muryatan Barbosa (doutorando USP)

Comentários e coordenação: Prof. Acácio Sidinei Almeida Santos (PUC/SP)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mara-eco: Não Usem EVA!!!

Mara-eco: Não Usem EVA!!!: " A disposição de resíduos de E.V.A. constitui um sério problema ambiental.O E.V.A. (etil-vinil-acetato, ou etileno-acetato de vinila)..."

sexta-feira, 11 de março de 2011

Carnaval...polêmica!!!!!!!!!!!

Amei as palavras dessa pessoa , que parece ser uma das poucas sóbrias e que percebem o que vem por trás desse discurso "para o povo" sobre cultura, festas, ...e que são somente balela para alegrar...a quem?Com certeza quem quer ganhar dinheiro em cima da pobreza, desgraça e ignorância alheia!!!!

quarta-feira, 2 de março de 2011

A pouco tempo atrás uma comoção por causa da grande tragédia que ocorreu no rio, agora que a mídia não está mais em cima...só se fala de carnaval...fantasia, suposta alegria,suposto prazer...mas a realidade é outra bem diferente por isso pense antes de fazer neste carnaval o que pode se arrepender no dia seguinte e sem a possibilidade de voltar, pois ..."o tempo não para..." Bjks!!!!!!!!!!!!!!!



Um documentário mostra como elas são depois que o show acaba. Não é como nas fantasias
Fotos: Martha Mendonça
Stefano Martini/Época
SOLITÁRIA
Rose Bombom na quadra da Grande Rio. O trabalho de mulata show atrapalha a vida amorosa
Estrela da escola de samba Grande Rio, a passista Rose Bombom, de 21 anos, esbanja simpatia e beleza. O contraste da pele negra com os olhos verdes é raro e espetacular. Registrada como Rose Claudia dos Santos, ela tem porte de princesa, mas mora num barraco na Favela Parque Centenário, em Duque de Caxias. Ela ajuda a avó – com quem mora desde os 8 meses, quando foi abandonada pela mãe – a sustentar oito primas menores. Namorado, faz tempo que não tem. O último terminou por causa do samba. “Ele falou: ‘Se você me amasse, largaria tudo’.” Rose preferiu ficar sozinha. “Ser mulata é uma coisa que está no sangue. Já vem de pequena”, diz ela, misturando cor e personagem, origem e profissão.
O cotidiano das chamadas mulatas show, aquelas que trabalham sambando, aparece pela primeira vez no documentárioMulatas – Um tufão nos quadris! , do diretor Walmor Pamplona. Em primeira pessoa, elas contam suas histórias. Falam de família, vaidade, religião. E de trabalhos que não têm tanto glamour, mas complementam o orçamento doméstico. São pessoas reais. Suas histórias desmentem o estereótipo e mostram como as mulatas se tornaram uma espécie de produto. Ser mulata exige, nos dias de hoje, muito mais do que exibir cor e traços intermediários entre o branco e o negro. A mulata do imaginário popular, que faz sucesso no samba e na televisão, tem, além do corpo escultural, habilidades de dançarina e talentos de atriz. Não apenas para sorrir o tempo inteiro. Mas para encarnar, de forma convincente, um personagem que pouco tem a ver com sua existência.
Ana Pérola, de 24 anos, é um bom exemplo das contradições entre a mulher e o mito. Ela estrela os shows noturnos da Mocidade Independente de Padre Miguel. À noite. Durante o dia, é gari no Rio de Janeiro. O uniforme laranja da Companhia de Limpeza Urbana é bem diferente do biquíni de paetês e das plumas que ela usa quando se apresenta. “As pessoas pensam que para ser mulata basta vestir um biquininho e sambar”, afirma ela, cujo nome verdadeiro é Ana Lúcia da Silva. Rafaela Bastos, de 29 anos, passista da Mangueira, fez faculdade de geografia. Amante dos livros, gosta de pensar a mulata através da história. “Tudo isso vem da escravidão. Os negros eram comprados por sua força e beleza”, afirma.
Rafaela tem razão. Esse tipo físico de brasileira mestiça ganhou prestígio devido aos fetiches escravocratas – que, de alguma forma, permanecem. Filha do branco descendente de portugueses com a negra trazida da África, a mulata virou símbolo de sensualidade e permissividade. No século XVIII, Gregório de Matos escrevia sobre a intensa atividade sexual das mulatas na Bahia. Na virada para o século XX, Aluísio de Azevedo reforçaria esse símbolo com sua Rita Baiana, de O cortiço, uma das personagens mais famosas de nossa literatura. Descrita como bonita e sensual, era comparada pelo autor a uma “cadela no cio”.
Um das coisas que o documentário de Pamplona deixa claro é que, às vezes, a mulata sedutora pode ser apenas ficção. Tânia Bisteka – Tânia de Fátima Souza Lima –, de 36 anos, casou-se com o homem que amava, mas o flagrou com outra mulher quando estava grávida de cinco meses. Com o choque, perdeu o bebê e nunca mais quis ter filhos. Sônia Capeta, da Beija-Flor, destrói outro tabu. Aos 50 anos, Sônia Maria Regina da Silva, a ex-rainha de bateria, revela que, depois de decepções amorosas com homens, agora vive com uma mulher. “É igual, o amor é o mesmo”, diz. Apesar da cintura fina e do quadril frondoso, uma mulata nunca é igual a outra.
Se a vida real das mulatas reflete a pródiga diversidade humana, o papel que elas interpretam no imaginário nacional é sempre parecido. A mulata lasciva do Brasil colônia foi sucedida pela mulata fogosa do Brasil imperial. Agora, virou a mulata show do Carnaval e da televisão. Lançada pelo teatro de revistas, essa é a mais recente encarnação do velho mito. Foi lançada por Carlos Machado, que começou a colocar mulatas em seus espetáculos. Elas fizeram sucesso, e a moda chegou às escolas de samba, que já tinham passistas. “Hoje, mulata é uma profissão, que exige talento e disciplina”, diz Sérgio Cabral, especialista em Carnaval.
Idealizador e roteirista do documentário, o jornalista Aydano André Motta diz que, ao longo da pesquisa, percebeu o preconceito em relação à expressão artística das mulatas. “Poucas pessoas olham para elas como artistas de verdade”, afirma. Por isso, muitas mulatas tentam reconhecimento – e dinheiro – como dançarinas fora do Brasil. Uma opção que tampouco é fácil. Elaine Ribeiro, de 28 anos, ex-rainha da Porto da Pedra, saiu do Brasil aos 18. Morou em diversos países, sempre dançando. Viveu por seis anos na Itália. Nem sempre tinha dinheiro. Voltou sabendo falar três idiomas. Hoje trabalha em um hotel, no Rio de Janeiro. Dandan Firmo, de 28 anos, do Salgueiro, mora no Morro do Vidigal. Também já tentou o exterior. Por um ano, viveu em Moscou. “Passei frio e muita solidão”, afirma. Havia dias em que ela não podia sair de casa por causa dos ataques de skinheads. “Eles não toleram gente de outra raça e imigrantes.” O Brasil mais do que tolera as mulatas. Admira-as mesmo, mas talvez ainda não as entenda direito.
 Divulgação
   


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Num extenso e substancial texto a escritora Ana Maria Gonçalves  nos revela as entranhas do pensamento racista de Monteiro Lobato e do seu mais novo herdeiro Ziraldo, autor da camiseta do Bloco Carnavalesco "Que merda é essa" que desfila no bairro de Ipanema, zona sul carioca, região de alta classe média do Rio de Janeiro. Num vídeo em que o link (Que merda é essa?) está no texto abaixo, vê-se que o bloco foi fundado por um grupo com negros frequentadores das praias e bares de Ipanema fazendo exatamente aquela "mistura racial" em que o negro se vê constrangido a ridicularizar-se para ser aceito no grupo como normalmente acontece na democracia racial brasileira.

Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves


Caro Ziraldo,

Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca "Que merda é essa?" e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de Lobato sobre os mestiços brasileiros e, de verdade, queria que não. Eu te respeitava, Ziraldo. Esperava que fosse o seu senso de humor falando mais alto do que a ignorância dos fatos, e por breves momentos até me senti vingada. Vingada contra o racismo do eugenista Monteiro Lobato que, emcarta ao amigo Godofredo Rangel, desabafou: "(...)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!..." (em "A barca de Gleyre". São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).
Ironia das ironias, Ziraldo, o nome do livro de onde foi tirado o trecho acima é inspirado em um quadro do pintor suíço Charles Gleyre (1808-1874), Ilusões Perdidas. Porque foi isso que aconteceu. Porque lendo uma matéria sobre o bloco e a sua participação, você assim o endossa : "Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista". A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje. Em uma das cartas que iam e vinham na barca de Gleyre (nem todas estão publicadas no livro, pois a seleção foi feita por Lobato, que as censurou, claro) com seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita "é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente".
Lobato estava certo. Certíssimo. Até hoje, muitos dos que o leram não vêem nada de errado em seu processo de chamar negro de burro aqui, de fedorento ali, de macaco acolá, de urubu mais além. Porque os processos indiretos, ou seja, sem ódio, fazendo-se passar por gente boa e amiga das crianças e do Brasil, "work" muito bem. Lobato ficou frustradíssimo quando seu "processo" sem ódio, só na inteligência, não funcionou com os norte-americanos, quando ele tentou em vão encontrar editora que publicasse o que considerava ser sua obra prima em favor da eugenia e da eliminação, via esterilização, de todos os negros. Ele falava do livro "O presidente negro ou O choque das raças"que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, país daquele povo que odeia negros, como você diz, Ziraldo, foi publicado no Brasil. Primeiro em capítulos no jornal carioca A Manhã, do qual Lobato era colaborador, e logo em seguida em edição da Editora Companhia Nacional, pertencente a Lobato. Tal livro foi dedicado secretamente ao amigo e médico eugenista Renato Kehl, em meio à vasta e duradoura correspondência trocada pelos dois:“Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (...) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha".
Impossibilitado de colher os frutos dessa poda nos EUA, Lobato desabafou com Godofredo Rangel: "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros." Tempos depois, voltou a se animar: "Um escândalo literário equivale no mínimo a 2.000.000 dólares para o autor (...) Esse ovo de escândalo foi recusado por cinco editores conservadores e amigos de obras bem comportadas, mas acaba de encher de entusiasmo um editor judeu que quer que eu o refaça e ponha mais matéria de exasperação. Penso como ele e estou com idéias de enxertar um capítulo no qual conte a guerra donde resultou a conquista pelos Estados Unidos do México e toda essa infecção spanish da América Central. O meu judeu acha que com isso até uma proibição policial obteremos - o que vale um milhão de dólares. Um livro proibido aqui sai na Inglaterra e entra boothegued como o whisky e outras implicâncias dos puritanos". Lobato percebeu, Ziraldo, que talvez devesse apenas exasperar-se mais, ser mais claro em suas ideias, explicar melhor seu ódio e seu racismo, não importando a quem atingiria e nem por quanto tempo perduraria, e nem o quão fundo se instalaria na sociedade brasileira. Importava o dinheiro, não a exasperação dos ofendidos. 2.000.000 de dólares, ele pensava, por um ovo de escândalo. Como também foi por dinheiro que o Jeca Tatu, reabilitado, estampou as propagandas do Biotônico Fontoura.
Você sabe que isso dá dinheiro, Ziraldo, mesmo que o investimento tenha sido a longo prazo, como ironiza Ivan Lessa: "Ziraldo, o guerrilheiro do traço, está de parabéns. Finalmente o governo brasileiro tomou vergonha na cara e acabou de pagar o que devia pelo passe de Jeremias, o Bom, imortal personagem criado por aquele que também é conhecido como “o Lamarca do nanquim”. Depois do imenso sucesso do calunguinha nas páginas de diversas publicações, assim como também na venda de diversos produtos farmacêuticos, principalmente doenças da tireóide, nos idos de 70, Ziraldo, cognominado ainda nos meios esclarecidos como “o subversivo da caneta Pilot”, houve por bem (como Brutus, Ziraldo é um homem de bem; são todos uns homens de bem – e de bens também) vender a imagem de Jeremias para a loteca, ou seja, para a Caixa Econômica Federal (federal como em República Federativa do Brasil) durante o governo Médici ou Geisel (os déspotas esclarecidos em muito se assemelham, sendo por isso mesmo intercambiáveis)".
No tempo em que linchavam negros, disse Lobato, como se o linchamento ainda não fosse desse nosso tempo. Lincham-se negros nas ruas, nas portas dos shoppings e bancos, nas escolas de todos os níveis de ensino, inclusive o superior. O que é até irônico, porque Lobato nunca poderia imaginar que chegariam lá. Lincham-se negros, sem violência física, é claro, sem ódio, nos livros, nos artigos de jornais e revistas, nos cartoons e nas redes sociais, há muitos e muitos carnavais. Racismo não nasce do ódio ou amor, Ziraldo, sendo talvez a causa e não a consequência da presença daquele ou da ausência desse. Racismo nasce da relação de poder. De poder ter influência ou gerência sobre as vidas de quem é considerado inferior. "Em que estado voltaremos, Rangel," se pergunta Lobato, ao se lembrar do quadro para justificar a escolha do nome do livro de cartas trocadas, "desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões". Ah, Ziraldo, quanta ilusão (ou seria petulância? arrogância; talvez? sensação de poder?) achar que impor à mulata a presença de Lobato nessa festa tipicamente negra, vá acabar com a polêmica e todos poderemos soltar as ancas e cada um que sambe como sabe e pode. Sem censura. Ou com censura, como querem os quemerdenses. Mesmo que nesse do Caçadas de Pedrinho a palavra censura não corresponda à verdade, servindo como mero pretexto para manifestação de discordância política, sem se importar com a carnavalização de um tema tão dolorido e tão caro a milhares de brasileiros. E o que torna tudo ainda mais apelativo é que o bloco aponta censura onde não existe e se submete, calado, ao pedido da prefeitura para que não use o próprio nome no desfile. Não foi assim? Você não teve que escrever "M*" porque a palavra "merda" foi censurada? Como é que se explica isso, Ziraldo? Mente-se e cala-se quando convém? Coerência é uma questão de caráter.
O que o MEC solicita não é censura. É respeito aos Direitos Humanos. Ao direito de uma criança negra em uma sala de aula do ensino básico e público, não se ver representada (sim, porque os processos indiretos, como Lobato nos ensinou, "work" muito mais eficientemente) em personagens chamados de macacos, fedidos, burros, feios e outras indiretas mais. Você conhece os direitos humanos, inclusive foi o artista escolhido para ilustrar aCartilha de Direitos Humanosencomendada pela Presidência da República, pelas secretarias Especial de Direitos Humanos e de Promoção dos Direitos Humanos, pela ONU, a UNESCO, pelo MEC e por vários outros órgãos. Muitos dos quais você agora desrespeita ao querer, com a sua ilustração, acabar de vez com a polêmica causada por gente que estudou e trabalhou com seriedade as questões de educação e desigualdade racial no Brasil. A adoção do Caçadas de Pedrinho vai contra a lei de Igualdade Racial e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você conhece e ilustrou tão bem. Na página 25 da sua Cartilha de Direitos Humanos, está escrito: "O único jeito de uma sociedade melhorar é caprichar nas suas crianças. Por isso, crianças e adolescentes têm prioridade em tudo que a sociedade faz para garantir os direitos humanos. Devem ser colocados a salvo de tudo que é violência e abuso. É como se os direitos humanos formassem um ninho para as crianças crescerem." Está lá, Ziraldo, leia de novo: "crianças e adolescentes têm prioridade". Em tudo. Principalmente em situações nas quais são desrespeitadas, como na leitura de um livro com passagens racistas, escrito por um escritor racista com finalidades racistas. Mas você não vê racismo e chama de patrulhamento do politicamente correto e censura. Você está pensando nas crianças, Ziraldo? Ou com medo de que, se a moda pega, a "censura" chegue ao seu direito de continuar brincando com o assunto? "Acho injusto fazer isso com uma figura da grandeza de Lobato", você disse em uma reportagem. E com as crianças, o público-alvo que você divide com Lobato, você acha justo? Sim, vocês dividem o mesmo público e, inclusive, alguns personagens, como uma boneca e pano e o Saci, da sua Turma do Pererê. Medo de censura, Ziraldo, talvez aos deslizes, chamemos assim, que podem ser cometidos apenas porque se acostuma a eles, a ponto de pensar que não são, de novo chamemos assim, deslizes.
A gente se acostuma, Ziraldo. Como o seu menino marrom se acostumoucom as sandálias de dedo: "O menino marrom estava tão acostumado com aquelas sandálias que era capaz de jogar futebol com elas, apostar corridas, saltar obstáculos sem que as sandálias desgrudassem de seus pés. Vai ver, elas já faziam parte dele" (ZIRALDO, 1986,p. 06, em O Menino Marrom). O menino marrom, embora seja a figura simpática e esperta e bonita que você descreve, estava acostumado e fadado a ser pé-de-chinelo, em comparação ao seu amigo menino cor-de-rosa, porque "(...) um já está quase formado e o outro não estuda mais (...). Um já conseguiu um emprego, o outro foi despedido do quinto que conseguiu. Um passa seus dias lendo (...), um não lê coisa alguma, deixa tudo pra depois (...). Um pode ser diplomata ou chofer de caminhão. O outro vai ser poeta ou viver na contramão (...). Um adora um som moderno e o outro – Como é que pode? – se amarra é num pagode. (...) Um é um cara ótimo e o outro, sem qualquer duvida, é um sujeito muito bom. Um já não é mais rosado e o outro está mais marrom" (ZIRALDO, 1986, p.31). O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui: "(...) o menino cor-de-rosa resolveu perguntar: por que você vem todo o dia ver a velhinha atravessar a rua? E o menino marrom respondeu: Eu quero ver ela ser atropelada" (ZIRALDO, 1986, p.24), porque a própria professora tinha ensinado para ele a diferença e a (não) mistura das cores. Então ele pensou que "Ficar sozinho, às vezes, é bom: você começa a refletir, a pensar muito e consegue descobrir coisas lindas. Nessa de saber de cor e de luz (...) o menino marrom começou a entender porque é que o branco dava uma idéia de paz, de pureza e de alegria. E porque razão o preto simbolizava a angústia, a solidão, a tristeza. Ele pensava: o preto é a escuridão, o olho fechado; você não vê nada. O branco é o olho aberto, é a luz!" (ZIRALDO, 1986, p.29), e que deveria se conformar com isso e não se revoltar, não ter ódio nenhum ao ser ensinado que, daquela beleza, pureza e alegria que havia na cor branca, ele não tinha nada. O seu texto nos ensina que é assim, sem ódio, que se doma e se educa para que cada um saiba o seu lugar, com docilidade e resignação: "Meu querido amigo: Eu andava muito triste ultimamente, pois estava sentindo muito sua falta. Agora estou mais contente porque acabo de descobrir uma coisa importante: preto é, apenas, aausência do branco" (ZIRALDO, 1986, p.30).
Olha que interessante, Ziraldo: nós que sabemos do racismo confesso de Lobato e conseguimos vê-lo em sua obra, somos acusados por você de "macaquear" (olha o termo aí) os Estados Unidos, vendo racismo em tudo. "Macaqueando" um pouco mais, será que eu poderia também acusá-lo de estar "macaqueando" Lobato, em trechos como os citados acima? Sem saber, é claro, mas como fruto da introjeção de um "processo" que ele provou que "work" com grande eficiência e ao qual podemos estar todos sujeitos, depois de sermos submetidos a ele na infância e crescermos em uma sociedade na qual não é combatido. Afinal, há quem diga que não somos racistas. Que quem vê o racismo, na maioria os negros, que o sofrem, estão apenas "macaqueando". Deveriam ficar calados e deixar dessa bobagem. Deveriam se inspirar no menino marrom e se resignarem. Como não fazem muitos meninos e meninas pretos e marrons, aqueles que são a ausência do branco, que se chateiam, que se ofendem, que sofrem preconceito nas ruas e nas escolas e ficam doídos, pensando nisso o tempo inteiro, pensando tanto nisso que perdem a vontade de ir à escola, começam a tirar notas baixas porque ficam matutando, ressentindo, a atenção guardadinha lá debaixo da dor. E como chegam à conclusão de que aquilo não vai mudar, que não vão dar em nada mesmo, que serão sempre pés-de-chinelo, saem por aí especializando-se na arte de esperar pelo atropelamento de velhinhas.
Racismo é um dos principais fatores responsáveis pela limitada participação do negro no sistema escolar, Ziraldo, porque desvia o foco, porque baixa a auto-estima, porque desvia o foco das atividades, porque a criança fica o tempo todo tendo que pensar em como não sofrer mais humilhações, e o material didático, em muitos casos, não facilita nada a vida delas. E quando alguma dessas crianças encontra um jeito de fugir a esse destino, mesmo que não tenha sido através da educação, fica insuportável e merece o linchamento público e exemplar, como o sofrido por Wilson Simonal. Como exemplo, temos a sua opinião sobre ele: "Era tolo, se achava o rei da cocada preta, coitado. E era mesmo. Era metido, insuportável". Sabe, Ziraldo, é por causa da perpetuação de estereótipos como esses que às vezes a gente nem percebe que eles estão ali, reproduzidos a partir de preconceitos adquiridos na infância, que a SEPPIR pediu que o MEC reavaliasse a adoção de Caçadas de Pedrinho. Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas, para que as crianças e os adolescentes sejam "colocados a salvo de tudo que é violência e abuso", como está na cartilha que você ilustrou. Isso é um direito delas, como seres humanos. É por isso que tem gente lutando, como você também já lutou por direitos humanos e por reparação. É isso que a SEPPIR pede: reparação pelos danos causados pela escravidão e pelo racismo.
Assim você se defendeu de quem o atacou na época em que conseguiu fazer valer os seus direitos: "(…) Espero apenas que os leitores (que o criticam) não tenham sua casa invadida e, diante de seus filhos, sejam seqüestrados por componentes do exército brasileiro pelo fato de exercerem o direito de emitir sua corajosa opinião a meu respeito, eu, uma figura tão poderosa”. Ziraldo, você tem noção do que aconteceu com os, citando Lobato, "negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão", e do que acontece todos os dias com seus descendentes em um país que naturalizou e, paradoxalmente, nega o seu racismo? De quantos já morreram e ainda morrem todos os dias porque tem gente que não os leva a sério? Por causa do racismo é bem difícil que essa gente fadada a ser pé-de-chinelo a vida inteira, essas pessoas dos subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal, - porque nelas está a ausência do branco, esse povo todo representado pela mulata dócil que você faz sorrir nos braços de um dos escritores mais racistas e perversos e interesseiros que o Brasil já teve, aquele que soube como ninguém que um país (racista) também de faz de homens e livros (racistas), por causa disso tudo, Ziraldo, é que eu ia dizendo ser quase impossível para essa gente marrom, herdeira dessa gente de cor que simboliza a angústia, a solidão, a tristeza, gerar pessoas tão importantes quanto você, dignas da reparação (que nem é financeira, no caso) que o Brasil também lhes deve: respeito. Respeito que precisou ser ancorado em lei para que tivesse validade, e cuja aplicação você chama de censura.
Junto com outros grandes nomes da literatura infantil brasileira, comoAna Maria Machado e Ruth Rocha, você assinou uma carta que, em defesa de Lobato e contra a censura inventada pela imprensa, diz:"Suas criações têm formado, ao longo dos anos, gerações e gerações dos melhores escritores deste país que, a partir da leitura de suas obras, viram despertar sua vocação e sentiram-se destinados, cada um a seu modo, a repetir seu destino. (...) A maravilhosa obra de Monteiro Lobato faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças. Nenhum de nós, nem os mais vividos, têm conhecimento de que os livros de Lobato nos tenham tornado pessoas desagregadas, intolerantes ou racistas. Pelo contrário: com ele aprendemos a amar imensamente este país e a alimentar esperança em seu futuro. Ela inaugura, nos albores do século passado, nossa confiança nos destinos do Brasil e é um dos pilares das nossas melhores conquistas culturais e sociais."É isso. Nos livros de Lobato está o racismo do racista, que ninguém vê, que vocês acham que não é problema, que é alicerce, que é necessário à formação das nossas futuras gerações, do nosso futuro. E é exatamente isso. Alicerce de uma sociedade que traz o racismo tão arraigado em sua formação que não consegue manter a necessária distância do foco, a necessário distância para enxergá-lo. Perpetuar isso parece ser patriótico, esse racismo que "faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças." Sabe o que Lobato disse em carta ao seu amigo Poti, nos albores do século passado, em 1905? Ele chamava de patriota o brasileiro que se casasse com uma italiana ou alemã, para apurar esse povo, para acabar com essa raça degenerada que você, em sua ilustração, lhe entrega de braços abertos e sorridente. Perpetuar isso parece alimentar posições de pessoas que, mesmo não sendo ou mesmo não se achando racistas, não se percebem cometendo a atitude racista que você ilustrou tão bem: entregar essas crianças negras nos braços de quem nem queria que elas nascessem. Cada um a seu modo, a repetir seu destino. Quem é poderoso, que cobre, muito bem cobrado, seus direitos; quem não é, que sorria, entre na roda e aprenda a sambar.
Peguei-o para bode expiatório, Ziraldo? Sim, sempre tem que ter algum. E, sem ódio, espero que você não queira que eu morra por te criticar. Como faziam os racistas nos tempos em quem ainda linchavam negros. Esses abusados que não mais se calam e apelam para a lei ao serem chamados de "macaco", "carvão", "fedorento", "ladrão", "vagabundo", "coisa", "burro", e que agora querem ser tratados como gente, no concerto dos povos. Esses que, ao denunciarem e quererem se livrar do que lhes dói, tantos problemas criam aqui, nesse país do futuro. Em uma matéria do Correio Braziliense você disse que "Os americanos odeiam os negros, mas aqui nunca houve uma organização como a Ku Klux Klan. No Brasil, onde branco rico entra, preto rico também entra. Pelé nunca foi alvo de uma manifestação de ódio racial. O racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos”. Se dependesse de Monteiro Lobato, o Brasil teria tido sua Ku-Klux-Klan, Ziraldo. Leia só o que ele disse em carta ao amigo Arthur Neiva, enviada de Nova Iorque em 1928, querendo macaquear os brancos norte-americanos: "Diversos amigos me dizem: Por que não escreve suas impressões? E eu respondo: Porque é inútil e seria cair no ridículo. Escrever é aparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exibir-se diante de uma assistência de moleques feeble-minded e despidos da menos noção de seriedade. Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. André Siegfred resume numa frase as duas atitudes. "Nós defendemos o front da raça branca - diz o sul - e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil". Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva." Fosse feita a vontade de Lobato, Ziraldo, talvez não tivéssemos a imprensa carioca, talvez não tivéssemos você. Mas temos, porque, como você também diz, "o racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos." Como, para acabar com a polêmica, você nos ilustra com o desenho para o bloco quemerdense. Olho para o rosto sorridente da mulata nos braços de Monteiro Lobato e quase posso ouvi-la dizer: "Só dói quando eu rio".
Com pesar, e em retribuição ao seu afeto,



Ana Maria Gonçalves

Negra, escritora, autora de Um defeito de cor.


Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, 'Defeitos de cor' , de Ana Maria Gonçalves, é um romance histórico.